sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sobre "silly days"

Há dias assim... Há dias que ao ver-me, vejo-te. Há dias que me esqueço e recordo-te. Há dias que me perco para logo te encontrar. Há dias que sou escuridão. Há dias que sou eu. Há dias que não sou. Há dias que acredito. Há dias que não tenho religião. Há dias que sei. Há dias que, pura e simplesmente, não quero saber. Há dias de Sol. Há dias de tempestade. Há dias que estou aqui. Há dias que sei que jamais estarás aqui. Há dias assim...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sobre a Rentrée

Setembro é, por excelência, o mês dos Estudantes, do regresso à azáfama escolar depois de dois meses sem aulas. Faro, por ser uma cidade que recebe universitários dos mais diversos pontos do país, não foge à regra. Esta mesma cidade que, nos meses de Verão quase se vê privada do corrupio característico das actividades estudantis, ganha vida, música e cor nestas primeiras semanas do mês.
Mesmo estando afastada das lides académicas, não pude deixar de comparecer na Semana de Recepção ao Caloiro da Universidade do Algarve que começou na passada segunda-feira, dia 21, e se prolonga até à próxima sexta-feira, dia 2 de Outubro.
O Largo de S. Francisco é, este ano, o palco escolhido para a apresentação dos caloiros à comunidade académica e lá desfilam orgulhosamente veteranos, académicos, mancebos e caloiros.
Para quem já conhece o espírito do Recepção ao Caloiro, sabe que é um espaço que privilegia o convivio e foi essencialmente por isso que na passada quarta e quinta-feira me desloquei até lá acompanhada das "minhas" meninas! Como sempre acontece, diverti-me bastante na sua companhia e reencontrei alguns amigos que já não via há algum tempo.
Combinam-se jantares e futuros reencontros, é a vida que volta à cidade!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sobre o Sonho

Hoje acordei com a sensação de que o meu sonho tinha, efectivamente, acontecido.
Como a noite anterior fora bem regada, procurei uma dor de cabeça ou algum mal-estar físico: vestígios de ressaca não existiam. Em mim e comigo só habitava aquela escabrosa sensação de inércia e apatia que, por mais que me esforce, não consigo explicar.
Levantei-me e fui, descalça como de costume, lavar a cara que, além de ter o vinco da almofada, não escondia a violência da noite anterior.
Sentei-me no confortável sofá da sala e olhei para o dia de sol. Mais descontraída, ou pelo menos com mais certeza de que já estava, realmente, acordada liguei a televisão e fiz um zapping pelos canais da Meo.
Sem qualquer aviso prévio, sem uma música, imagem ou atitude que o fizesse adivinhar, percebi que as lágrimas caíam copiosamente pelo meu rosto.
Foi exactamente nesse momento que voltei ao sonho, nele eu tinha-me apaixonado.
"Yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño:
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son. "
Pedro Calderón de la Barca, La Vida es Sueño.

sábado, 19 de setembro de 2009

Sobre a Mudança

Tenho-me referido a mim mesma como "um Ser-Humano insatisfeito por natureza". Não me parece que seja algo de extraordinário porque a insatisfação é uma característica que está inerente à condição do Ser-Humano.
Depois de quatro anos passados no "51", como carinhosamente foi sendo chamado o t3 onde, até ao final do mês viverei, decidi que estava na altura de mudar.
Neste espaço de excepcionais dimensões, senti-me verdadeiramente em casa. Nele moraram pessoas também elas excepcionais que tiveram para comigo uma simpatia extrema e uma amizade incondicional. Penso que foi recíproco!
Recordo-me dos amigos que se auto-convidavam para vir cozinhar cá a casa. Dos pequenos-almoços oferecidos depois de uma noite de copos na "Rua do Crime"; dos jantares de aniversário, dos lanches com o bolo de chocolate feito através de uma receita da net; da casa cheia em fim-de-semana do Moura Encantada; da sala que depressa de tornava no quartel-general do mesmo festival: cenário para filmagens, reuniões, "escritório".
Belos momentos, momentos INESquecíveis.
A Professora Doutora Maria de Lurdes Cabral, mulher de uma sensibilidade e inteligência fenomenais, numa das aulas destinadas à Didáctica das Línguas, fez referência à dificuldade que o Homem tem de mudar e de aceitar a mudança. Dizia-nos que o desconhecido é um obstáculo à mudança uma vez que temos a tendência para recear o que não conhecemos.
Neste momento em que estou "em mudanças", não deixo de sentir esse receio de quem parte para uma nova aventura sem mapa para se poder guiar convenientemente.
Na bagagem, extensa porque em quatro anos acumulamos, inevitavelmente, muitas "recordações", levo uma única certeza: esta mudança era premente.
É essencialmente isso que me motiva: saber e, sobre tudo, sentir que ela, mais tarde ou mais cedo, teria de acontecer.

Estou animada e feliz por não ter cedido ao comodismo mometário, sentimental e profissional.

Emmanuel Kant, filósofo alemão, diz que "Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço."
Se assim é, não tenho dúvidas de que o que vier a partir de Outubro será, com certeza, melhor!

domingo, 13 de setembro de 2009

Sobre a Caravana

Não me recordo da última vez que fui ao teatro mas o regresso foi extraordinário.
Ontem, após um convite da amiga Sara, que aceitei de imediato, fomos ao Teatro das Figuras, em Faro, ver a A Caravana posta em cena pelo Teatro Meridional, sobre o qual a Sara me tinha fornecido as melhores referências.
Ao longo dos sessenta e cinco minutos de duração da peça, o espectador envolve-se na história da Rota da Seda que tornou o Oriente e o Ocidente mais próximos. Esta história é contada através de pequenas histórias nas quais se revelam personagens fragéis, cruéis, apaixonados, decididos, visionários ou cómicos.
Numa viagem pelo espaço virtual do Teatro Meridional encontrei-me com uma espécie de sub-titulo da peça e, por rever nele o meu pensamento, transcrevo-o aqui: A Caravana é "Um espectáculo sobre a singularidade do indivíduo e a sua identidade colectiva."
A sonoplastia e o espaço cénico foram ingredientes importantíssimos que permitiram ao espectador penetrar nos meandros da concepção da seda e do seu transporte até outros países/continentes.
De Pequim a Veneza, a "seda" transforma o cenário e lá estamos nós, uma vez mais, a partilhar o palco com imperadores, mercadores e pastores. Cada um deles enuncia a sua própria "rota" individual, o caminho a percorrer entre si e o seu próprio ser. É esse percurso interior que faz nascer a identidade colectiva.
Caracteriza-se como uma companhia "vocacionada para a itinerância" e, por esse motivo, se o texto o interessou poderá consultar a agenda para o mês de Setembro e Outubro na página mencionada antes.
Aproveito, também, para referir que estará em cena, de 16 a 27 de Setembro, no Teatro Meridional a peça "A Casa de Bernarda Alba" de Francisco García Lorca pelo Teatro da Terra.
Nenhum momento melhor do que este para reflectir sobre a melhor rota a traçar nesta fase do caminho. Tenha eu lucidez e paz de espírito para a fazer.