Já tive oportunidade de referir aqui que há umas semanas atrás completei 30 anos de existência. Não fazia muita questão de os comemorar especialmente mas, entusiasmada por alguns amigos decidi que faria "qualquer coisa". Depois de um sem fim de ideias que me pareciam pouco exequíveis por limitação de espaço, por exemplo, acordei um dia no início de Dezembro com uma ideia. Transcrevo, em seguida, o seu resultado.
"Olá a todos,
O Banco Alimentar Contra a Fome apareceu na minha vida através da Tuna Académica Feminina da Universidade do Algarve - Feminis Ferventis numa animação que tivemos enorme orgulho em fazer nos armazéns da Sede naquele chuvoso fim-de-semana de Dezembro. Lembro-me muito bem desse dia e dessa actuação. Há actuações assim, em que gostamos tanto, somos tão bem recebidas e acolhidas que é difícil esquecer. Depois de ajudarmos durante algum tempo no processo de selecção e armazenamento dos alimentos, alguém da direção falou-nos um pouco sobre a história do Banco Alimentar no Algarve, a sua abrangência e a forma como os alimentos eram distribuídos. Embora vos envie este mail a título individual sei que saímos de lá com o coração cheio de orgulho pelo vosso trabalho. Saímos de lá, também, com algumas ideias para Maio. Foi uma experiência importante para mim/nós. Fizemos aquilo que gostamos de fazer: sermos úteis, de alguma forma, para a comunidade que nos rodeia. A experiência foi tão agradável e produtiva que, como disse, não quisemos/quis deixar de continuar a alimentar essa ideia. A 3 de Janeiro comemorei o meu 30º aniversário. Não fazia questão de o comemorar até acordar um dia com um bom motivo para o fazer. Assim, convidei alguns bons amigos a juntarem-se a mim nessa comemoração. O convite era simples: cada convidado deveria levar alguma coisa para beber/comer para o piquenique nocturno que faríamos. Cansada da época consumista que até aí tínhamos estado a passar, sugeri que em vez do tradicional presente de aniversário, os meus convidados trouxessem um (ou mais) produto(s) alimentar(es) para serem posteriormente entregues ao Banco Alimentar (chamei-lhe um dress-code!). O objetivo era triplicar a minha idade em quilos. Não sei se foi alcançado, mas sei que a sua generosidade foi enorme. Assim sendo, o motivo deste mail é perguntar-vos quando é que podemos ir até à Sede entregar os ditos produtos.
Neste momento eles encontram-se na sala da tuna mas já é tempo de irem para onde são realmente úteis!
Sem mais assunto de momento,"
A todos os que estiveram na sala da tuna naquele dia e aos que mesmo querendo não puderam estar, por me acarinharem, por gostarem de mim e por "alinharem" comigo nesta ideia, o meu muito, muito obrigado! Obrigada por terem tornado este dia/comemoração INESquecível!
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Sobre a ilusão
Às vezes tenho a presunçosa ideia de que aos 30 anos já tenho alguma bagagem no que a vivências diz respeito. Penso, algumas vezes, que determinada experiência fez-me aprender e, por esse motivo, enriqueceu-me vivencialmente.
É curioso pensar nisto desta forma quando ainda hoje escrevi noutro lugar que o meu processo de aprendizagem era constante. É, pensará com toda a razão o leitor mais atento, uma incongruência. Daquelas incongruências que, em algum momento, fazem sentido. Daquelas que são difíceis de explicar.
Talvez neste momento esteja numa posição privilegiada para dizer que por muito que possamos viver, por muito intensas, adversas ou agradáveis possam ter sido as nossas experiências de vida, nunca aprendemos demasiado, nunca aprendemos tudo, numa prevemos as duas mil situações e combinação de situações que ainda podem acontecer connosco.
Eu, até há dois dias atrás, estava iludida pelo retrato colorido que costumo pintar do que me rodeia. Pela tolerância do ser-se o que se é e do ser-se como se é. Pelo respeito pelo trabalho de quem comigo partilha o mesmo espaço.
Eu, até há dois dias atrás, estava demasiado confiante nas experiências que tinha vivido e no quão importantes foram e nas imensas lições que retirei delas.
Eu hoje dei-me conta que não sei nada, não aprendi nada.
Ernesto Guevara de la Serna, no final da sua viagem pela América Latina diz qualquer coisa como: Eu já não sou eu, pelo menos não o eu que fui. Eu hoje acrescento Eu já não sou eu. Pelo menos não o eu que fui [ontem].
Parece que a viagem ainda agora começou!
É curioso pensar nisto desta forma quando ainda hoje escrevi noutro lugar que o meu processo de aprendizagem era constante. É, pensará com toda a razão o leitor mais atento, uma incongruência. Daquelas incongruências que, em algum momento, fazem sentido. Daquelas que são difíceis de explicar.
Talvez neste momento esteja numa posição privilegiada para dizer que por muito que possamos viver, por muito intensas, adversas ou agradáveis possam ter sido as nossas experiências de vida, nunca aprendemos demasiado, nunca aprendemos tudo, numa prevemos as duas mil situações e combinação de situações que ainda podem acontecer connosco.
Eu, até há dois dias atrás, estava iludida pelo retrato colorido que costumo pintar do que me rodeia. Pela tolerância do ser-se o que se é e do ser-se como se é. Pelo respeito pelo trabalho de quem comigo partilha o mesmo espaço.
Eu, até há dois dias atrás, estava demasiado confiante nas experiências que tinha vivido e no quão importantes foram e nas imensas lições que retirei delas.
Eu hoje dei-me conta que não sei nada, não aprendi nada.
Ernesto Guevara de la Serna, no final da sua viagem pela América Latina diz qualquer coisa como: Eu já não sou eu, pelo menos não o eu que fui. Eu hoje acrescento Eu já não sou eu. Pelo menos não o eu que fui [ontem].
Parece que a viagem ainda agora começou!
sábado, 8 de janeiro de 2011
Sobre o Amor Puro
Ontem a minha querida AML deixou um link na janela do msn. Eu estava offline e só hoje pude ver até onde me levava. O mais interessante no link não é exatamente o blog em si mas o texto que ela queria que eu conhecesse. O texto é de Miguel Esteves Cardoso, originalmente escrito no Jornal Expresso de 2005, se não estou equivocada, e tem como título "Elogio ao Amor". Transcrevo-o, sem mais palavras, em seguida.
"Quero fazer um elogio ao amor puro. parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Por que são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida é na medida do possível. O amor tornou-se numa questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de repreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bica, alcançadores de cxompromissos, bananoides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desiquilibrio, o medo, o curso, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é o estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Nâo é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la Também."
Enquanto me deixava levar pelas palavras, recordei alguns episódios de amor puro que vivi ao longo destes 30 anos. Independentemente do desfecho que lhes/lhe dei/deram foram episódios que recordo com muita nostalgia. Não no sentido de querer que regressem mas no sentido em que naquele tempo eu fiz coisas extraordinárias porque acreditava nesse tal Amor Puro. Penso que é o que me falta :um motivo para voltar a acreditar nele.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Sobre [uma] retrospetiva
Quando chegamos ao final de mais um ano é quase inevitável não nos determos algum tempo sobre o ano que termina. Eu, a mais comum das mulheres portuguesas, faco-o constantemente e portanto este final de ano não foi exceção.
Foi um ano cheio de agradáveis supresas. Foi um ano cheio de concertos e descobertas musicais. Foi um ano cheio de trabalho e espírito de sacrificio. Foi um ano cheio de amizade. Foi um ano cheio de momentos felizes partilhados. Foi um ano de inter e intraconhecimento. Foi um ano cheio de aventuras em terra e ar. Foi um ano ch
eio de solidariedade. Foi um ano com objetivos cumpridos e sonhos realizados.
Nada disto faz do meu ano um ano especial para o leitor que pacientemente lê estas linhas. Nada disto pode parecer excecional aos seus olhos. Mas este ano, só porque o vivi. Só porque o partilhei com pessoas fantásticas que me tornam uma pessoa melhor todos os dias. Só porque foi o MEU ano, este ano foi sensacional.
O leitor assíduo deste blog saberá que a mensagem otimista que passo do ano que agora findou não é novidade. Para o leitor que não conhece e que, por algum [bom] motivo vem a este espaço virtua
l, não deve duvidar destas animadas palavras. Elas existem porque fazem parte de mim, porque são a concretização do que eu sou e do que quero transmitir.
Aos leitores que estão habituados a ler estas palavras otimistas mas principalmente aos que não acreditam nelas nestes tempos de crise, desejo que em 2011 tenham, essencialmente, coragem para fugir ao habitual, ao mais fácil e cómodo. Que em 2011 concretizem o que até 2010 tinha ficado em plano no papel. Não precisa de ser um grande empreendimento ou feito aos olhos dos que vos rodeiam. Mas que seja um grande empreendimento pessoal, só vosso! Tenho a certeza que serão capazes de o fazer se se atreverem a isso.
Como dizia Antoine Saint-Exupery em O Principezinho: "É a importância que dás à tua rosa que a torna especial."
Sensacional 2011 para todos!
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