sábado, 5 de setembro de 2009

Sobre a Morena.

Começou hoje, na Recreativa Rica - Olhão, o Rotas da Dança. É, segundo o meu ponto de vista, uma especie de festival de dança que combina workshops de Dança Oriental, Kizomba, Capoeira e Flamenco com gastronomia típica dos países e, à noite, apresentações ao público. O dinheiro angariado servirá para restaurar a referida Recreativa que precisa de obras, situação que me parece de uma nobreza extrema.
A cerimónia de abertura esteve a cargo de Denise de Carvalho, professora de dança oriental cujo CV não caberia neste espaço, Mirsalah e alunas da Recreativa Rica. O espectáculo foi belíssimo e quem até lá se deslocou não ficou desiludido e tenho a certeza que, como eu, voltará nos dias seguintes. Eu fiquei deslumbrada por vários motivos.
Em primeiro lugar, porque o espaço, a noite e a companhia (a aluna, a doce, a sorridente, a simpática, a divertida Neide) foram ingredientes imprescindíveis para o ambiente acolhedor da apresentação propriamente dita. Depois porque o talento, a graciosidade, o "profissionalismo" e coordenação das bailarinas, aliado às músicas, transportaram-nos para outra cultura.
Por último, e perdoe-me o leitor a opinião tendenciosa, porque a fantástica Denise de Carvalho estava lá. E, caro leitor, se conhecesse o trabalho dela, o seu talento e dedicação, saberia exactamente do que estou a falar.
Ela é Bailarina profissional, professora e coreógrafa; integrante do CID (Internacional Dance Council - Unesco); é Bailarina na Companhia Internacional de Dança de Hossam e Serena Ramzy; foi Professora dos Cursos de Primavera e de Verão, 2008, de Dança Oriental na Escola de Dança do Conservatório Nacional, entre muitas outras coisas.
Mas hoje ela é só a "Morena".
É sobre ela, uma das mulheres mais lindas que conheço (nas várias acepções da palavra), que escrevo.
Conheci-a através de uma amiga, não falámos muito mas tinhamos um pedido: actuar no I Moura Encantada. Sem grandes problemas, aquiesceu. Posteriormente, trabalhámos juntas e formámos, juntamente com a Sofia, a Irmandade da Sardinha Assada que tinha a sua sede na Cruz Vermelha Portuguesa - Faro. Foi um Verão em grande: muita sardinha, muitos almoços, muita sangria, muitas conversas. Enfim...puro companheirismo.
Somos vizinhas e vejo-a tantas vezes como vejo os meus pais (que moram a 300km) mas quando nos encontramos voltamos àquele Verão. O que interessa aqui é que ela tem estado nos melhores e piores momentos da minha vida aqueles que é tão difícil partilhar. Dela tenho ouvido palavras de compreensão, de ânimo ou de censura quando é preciso. O seu jeito, a sua ternura, o seu olhar doce, o seu humor, o seu mau-feitio de sagitário, o seu altruismo e, principalmente, a humildade com que lida com o sucesso cativaram-me e eu acho que, de alguma forma, a cativei também. Sou, por isso, uma privilegiada.
Obrigada "Morena"!!
O Rotas da Dança só termina no domingo e até lá pode ainda participar nas actividades ou provar a gastronomia.
Tenho a certeza que não se vai arrepender.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sobre (RE)começo(s).

Esta é uma época do ano em que, para alunos e professores, as expectativas se renovam.
Uns, porque esperam que seja um ano decisivo nas vidas e porque depositam (eles e os seus encarregados de educação) nele um novo ânimo. Tudo, para eles, contêm energia (muitas vezes ilusória ou superficial): novos livros, os cadernos (o material escolar em geral), os colegas (os que já conhecem e os novos) ou os professores (pelo menos alguns porque eles sabem reconhecer quem gosta deles, quem os respeita, quem por eles se esforça e trabalha!)
Outros porque vêm confirmadas algumas ansiedades típicas da profissão docente, nomeadamente a deslocação/permanência em escolas que foram da sua preferência. Para esses, tudo volta ao início: novos alunos, novos colegas, novos directores, novos funcionários, nova cidade, novos hábitos... Esses redobram a força, o entusiasmo, a paciência e a criatividade para inovar em mais um (re)começo do Ano Lectivo.
Dir-me-à o leitor que haverá excepções nuns e noutros. Não podia estar mais de acordo! Aliás, considero, que as excepções não só servem para confirmar a regra como também as podemos observar em todas as profissões.
Neste início de Ano Lectivo vale a pena deixar uma mensagem de optimismo e ânimo aos meus alunos e aos amigos "de circunstância" que fui conhecendo.
Sísifo
Recomeça…Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga, Diário XIII
Bom Ano Lectivo!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sobre Covardia

O seu blogue está la lista dos Links Inesquecíveis e ele é o principal motivador de ter voltado a escrever de forma mais constante neste espaço.
Numa das visitas que costumo fazer ao Aquele Bagacinho, blogue que recomendo vivamente e cuja visita é quase obrigatória para quem gosta de ler boas histórias, deparei-me com um post que continha uma música que servia de "alerta" à(s) falsidade(s) que por aí circulam.
É sobre isso que escrevo hoje motivada pelo facto de, desde Julho, receber comentários insultuosos em relação à minha pessoa escondidos atrás de um confortável "anónimo".
A questão não se resume aos comentários insultuosos, assumo que até possam ser merecidos. Penso que o facto de serem dirigidos de forma gratuita e desprovidos de qualquer fundamentação lhes retira qualquer credibilidade e são reveladores de uma covardia tremenda.
Infelizmente, são muitos os "anónimos", com ou sem linguagem insultuosa, que nos rodeiam todos os dias.
Não me pretendo armar em moralista, não sou e tenho, como o leitor certamente terá, os meus telhados de vidro, mas parece-me que o insulto ocultado, dissimulado ou disfarçado não leva a lugar nenhum.
Bem, talvez até nos leve a algum lugar...
...lembro-me, neste preciso momento, de um texto que li sobre gestão de conflitos: na maioria das vezes, atacamos quem nos fez mal não com o objectivo de resolver o problema mas para sermos, momentaneamente, superiores a quem magoamos. Enfim, para experimentarmos o gosto da vingança. Espero, sinceramente, que esta alimente a frustração que parece sentir.
Suponho que as palavras deste suposto "anónimo" são reveladoras da sua inteligência mas, sendo eu uma mulher optimista, tenho a certeza que entenderá a mensagem.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sobre o meu happy place

Noutro post falei dela de forma superficial mas hoje apetece-me dedicar-lhe alguma atenção. Não sei se o leitor se reconhece nesta experiência mas há certos lugares que têm sobre nós um poder incrível de nos inspirar e fazer sentir bem. Cacela Velha é um desses lugares. A minha relação com Cacela Velha é puramente de circunstância mas quem se debruça num fim de tarde sobre o promontório, atraído pela singela Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, e tem como paisagem a Ria Formosa e o mar onde o verde e o azul das cores se confundem, não pode, nem consegue ficar indiferente. 

Há lugares assim. Há pessoas assim. Há momentos assim.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sobre os amigos de circunstância

"...E foi então que apareceu a raposa: - Bom dia, disse a raposa. - Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada. - Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira... - Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita... - Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste... - Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaste ainda. - Ah! desculpa, disse o principezinho. - Que quer dizer "cativar"? - É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..." - Criar laços? - Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, a minha vida será como que cheia de sol. [...] Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, far-me-à lembrar de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe: - Por favor... cativa-me! disse ela. - Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer. - A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! [...]"
Antoine de Saint-Exupery, O Principezinho.
O local de trabalho é, por diversas razões, um local privilegiado para as relações interpessoais. Dizem alguns especialistas da sociologia das organizações que o contacto interpessoal [profissional e/ou pessoal] desenvolvido no seio das organizações é um dos aspectos mais importantes para a evolução destas . A Escola é um óptimo exemplo disso. Todos os anos as Escolas recebem professores oriundos de diferentes zonas da seleccionada. Naturalmente e de forma saudável, criam-se grupos por afinidades, gostos, conselhos de turma, localização geográfica, tempo disponibilizado na e para a escola...enfim, os critérios são mais que muitos. É a eles que dedico este post: àquele tipo de amigos que encontramos numa determinada circunstância e cuja amizade tem, à partida, os "dias contados". Como alguém lhe chamou hoje: aos amigos de circunstância. Confesso que conheci alguns [não muitos] de quem me tornei amiga mais próxima posteriormente. Penso que, de certa forma e utilizando a terminologia de Antoine S-E, cativei-os e eles cativaram-me. O "cativar" pode apresentar-se sob as mais variadas formas. Acho que a magia da amizade (de circunstância ou não) está exactamente aí: chega-se a si mesma quando é verdadeira. Não sei se as amizades de circunstância, deste ano, se vão manter para os próximos anos, não sei sequer se continuaremos a falar depois do regresso às cidade de origem. O que sei, e aquilo que realmente me importa, é que os momentos de convívio, os almoços no "Ciclista", os problemas inerentes à profissão e à própria condição de "deslocado", as reuniões de conselho de turma [caracterizadas por uma heterogeneidade estonteante], os almoços no Sr. Amaral, as saídas no MED ou os lanches em Cacela Velha acompanhados por um passeio de barco (que nunca cheguei realmente a fazer) e outras tantas circunstâncias estão, inequivocamente, destinados às boas recordações.
Aos amigos de circunstância da ESTavira, pelos bons momentos, boa-disposição e simpatia que tiveram para comigo.