domingo, 20 de março de 2022

Sobre perspetiva(s)

Um dos meus objetivos de 2021 era voltar a partilhar a minha escrita. 
Os meses passaram-se e outros objetivos foram sendo concretizados e a escrita (partilhada/oferecida) foi sendo deixada para trás. Por considerar que ainda não era o momento. Por pensar que o texto não estava suficientemente bom para ser lido. Por achar que a mensagem não era exatamente aquela que eu queria partilhar. Por não ter tempo. Por não ter disponibilidade anímica. Por não ter energia. Por não ter entusiasmo. Por não-sei-quantos-outros-motivos. 

Passei grande parte da segunda metade de 2021 com a intenção de voltar a este espaço e redecorá-lo. Passei 2021 sem o fazer. 
Não é algo que me orgulhe, mas talvez agora, como em tudo na vida, perceba que há um motivo para que o seu (ou o meu!) reaparecimento seja feito agora. 
Chega 2022 e a certeza que será um ano de muita ação. De resultados. De levar para a frente. De #fazeracontecer, como aliás a minha querida Madalena Quiala (procurem-na nas redes, ela é um furacao. Uma autêntica força da natureza que tive a honra e o prazer de conhecer e sobre quem, quase de certeza, voltarei a escrever neste espaço) também tantas vezes diz. 

E eis que chega mais uma fase desta minha casa. The coach Lab - writing notes é um reformulado espaço de partilha de aprendizagens que durante todos estes anos fui fazendo. Pelo menos é minha intenção que assim seja. Não quero fazer publicidade pouco honesta, mas trabalharei para isso!
 Não é por acaso que a última entrada do blogue é sobre ganhar ou perder. Sobre conseguir alcançar um objetivo. Um texto extraordinário num dos anos mais produtivos e desafiantes que vivi. Um ano cheio de experiências, cheio de momentos de inspiração, desafio e superação. Num determinado momento desse ano coloquei-me a seguinte pergunta: 

Inês, se deixasses de poder fazer o que fazes. Se deixasses de poder estar com as pessoas que gostas. Se deixasses de poder praticar desporto. Se deixasses de poder trabalhar. Se deixasses de poder levar a vida que levas, o que é que levarias dessa experiência? O que é que contarias sobre esses tempos. 

A resposta foi dada através de ações. Nunca antes tive tantas experiências. Nunca antes me desafiei tanto. Nunca antes disse tanto o que sentia. Nunca antes fiz tanto o que me apetecia. 

Depois disso, bem... parece que a vida tem sempre para nós os desafios para os quais precisamos de desenvolver competências. De sermos melhores pessoas. De nos respeitarmos mais. De dizer mais vezes não. 
 E penso que este interregno de cinco anos acaba por refletir isso. 

Isto tudo para vos dizer que estou de volta. A mesma casa. Perspetivas e experiências diferentes. A mesma emoção (e cuidado) na partilha e nas palavras. 

Por agora é tudo...mas regresso para vos contar mais novidades sobre este novo projeto! 

Obrigada por se manterem aí (os antigos e os novos que certamente me visitarão!) 

Até breve!

sábado, 6 de maio de 2017

Sobre Perder ou ganhar...

Esta entrada vem no seguimento de meses de treinos e aprendizagens extraordinárias em diversas áreas da minha vida. O e-mail que a seguir transcrevo, foi enviado dia 18 de março, na véspera de concretizar um dos meus objetivos desportivos para 2017: participar na Meia Maratona de Lisboa. O objetivo foi alcançado mas a lição que retirei desses meses de trabalho e das semanas que lhe seguiram continua muito presente. Partilho-a neste meu "regresso" à escrita.



.. não é [só] desporto.
 
Caro F,
Talvez não saibas mas algures no último trimestre do ano deste-me uma lição tremenda. Eu na altura já achei que teria de refletir mais sobre a tua versão da máxima do "Perder ou ganhar é (tem de ser) desporto.". Quando regressava a casa pensei: "como é que eu, que detesto banalizar/vulgarizar palavras/expressões nunca me tinha lembrado de esmiuçar e compreender verdadeiramente esta? "A verdade é que tenho pensado nela frequentemente desde essa altura. Realmente, de acordo com a tua perspetiva, não é indiferente ganhar ou perder. Se me envolvo em algo, se trabalho para concretizar um objetivo, se me empenho e dedico então eu quero ganhar e isto é, no mínimo o que eu posso querer! (E aqui residiu a minha maior descoberta - é legítimo eu querer ganhar.) Isto é o Desporto: é eu ser fiel ao meu trabalho e não menosprezar a minha ambição (numa perspetiva de desafio pessoal, entenda-se!) e querer realizar com todas as minhas forças o meu objetivo. Até aqui, creio que, pelo menos na globalidade, estarás de acordo comigo. Mas continua a haver uma questão: se o ganhar eu já sei o que é. O que é perder? Nas últimas duas semanas tenho pensado nesta questão. Perder será, mantendo uma coerência sobre o que disse em relação ao ganhar, não ganhar. Perder será não concretizar a 100% um objetivo. Perder será arranjar argumentos que sustentem ideias e suposições dos outros. Perder será não tentar. Perder será querer ganhar a todo o custo. Perder será não retirar uma lição do não ganhar. Penso que me fico por aqui. Queria partilhar contigo este pensamento e agradecer-te pela nossa conversa, por me teres dado uma nova perspetiva, por me teres feito pensar e reformular a visão que tinha em relação à expressão.  Realmente, perder ou ganhar não é indiferente. É um argumento que usamos para justificar ou desculpabilizar o facto de não termos conseguido gerir (seja lá por que motivo for) o nosso querer ganhar. 
 Vou dormir que amanhã o dia é longo e (dizem!) há 21 quilómetros para correr na capital. 


Termino esta entrada com uma frase do atleta Jesse Owens  com a qual me identifico profundamente: "No fim, é o esforço extra que separa o primeiro do segundo lugar. É preciso desejo, determinação, disciplina e sacrifício. Se juntarmos tudo, mesmo se não ganharmos, é impossível perder." 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Considerações sobre Liderança

Como nos inspira quem nos rodeia?
Como inspiramos os que nos rodeiam?
Que líderes somos? 

A reflexão que a seguir apresento foi inserida num trabalho do Módulo 6: Liderança e Comunicação, no âmbito da pós-graduação em Coaching. 
É uma visão muito pessoal, sustentada com leituras sobre a temática, sobre  Liderança e do que é ser e agir como líder.

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Ser ou não ser líder é a questão!

Uma questão em tom de desafio como pressupõe o processo de desenvolvimento e crescimento pessoal que desde outubro assumi. Um processo cuja palavra central, muito repetida no meu discurso nos últimos meses, é Consciência.
Uma Consciência que implica o que sou (comigo e com os outros), como sou (comigo e com os outros) e como me vejo (a mim e aos outros). E é nesta vertiginosa e fantástica procura que está contextualizada esta reflexão: ela é o resultado de um processo num estado eternamente por terminar.
Na verdade, ela também surge depois de meses de troca de experiências, conhecimentos, leituras, pesquisas e, sobretudo, reflexões muito pessoais sobre o EU e as variáveis que anteriormente referi.
Pela mão do professor Paulo Abrantes navegámos pelo tema da Comunicação e Liderança. A sua experiência por outras tormentas, fê-lo marinheiro experiente e astuto e neste sentido fez questão de nos dotar de confiança para que, juntos, chegássemos a porto seguro. Juntos e com uma constante preocupação em relação ao nosso bem-estar: à forma como estávamos a percecionar e a utilizar a informação que nos estava a ser transmitida. Embora sem me dar conta nesta altura estava a dar-nos uma lição, ele próprio e a sua conduta, de Liderança.
Em primeiro lugar, deixei cair a ideia de que Liderar/a Liderança estava apenas confinada aos CEO de empresas. Creio que o conceito de Liderança para mim estava associado ao sucesso e à visibilidade. Com sinceridade, não tinha até ao momento tido necessidade de pensar sobre isso: como se fosse uma característica que não estivesse ao meu alcance.
É então que nesta pequena mas muito gratificante viagem descubro que a Liderança está acessível a todos que ousem conhecer-se, que ousem conhecer quem os rodeia, que não receiem reconhecer o(s) seu(s) erro(s), que ajam com humildade, que tenham uma forma de estar/agir pelo qual sejam reconhecidos, a sua imagem de marca.
O líder é alguém original, que tem coragem para ser e fazer diferente. O líder não teme a grandeza dos que o rodeiam porque tem confiança em si próprio e porque a sua verdadeira felicidade também passa por fazer com que o melhor de quem o rodeia se eleve, sobressaia. O líder é o que predica e é sobretudo quem faz o predica.
[…]
Ainda durante este processo também recordei e sobretudo refleti que um dos argumentos que uso para justificar a minha prática profissional é o facto de acreditar que, em algum momento posso fazer a diferença na vida das crianças/adolescentes com quem trabalho. Assim sendo, será que faço realmente? Porque é que é isso que me preenche enquanto profissional? Em que é que se traduz na minha prática “fazer a diferença”? Quando é que senti isso? Como me senti?
Foram algumas perguntas que me coloquei a mim mesma. Para algumas terei resposta, ou uma resposta à luz da minha perspetiva atual.
Termino esta reflexão com a alusão a dois textos com os quais estabeleci contacto há relativamente pouco tempo e que considero que influenciaram de sobremaneira o meu entendimento sobre o que me rodeia. Partilho-os aqui porque penso que estão dentro do âmbito deste trabalho e desta reflexão.
Há uns meses comprei um livro com o título Os melhores contos espirituais do Oriente de Ramiro Calle. No título aparecem duas palavras que chamaram imediatamente a minha atenção [contos e Oriente] e comprei-o. Nas suas páginas fui lendo pequenos contos de índole espiritual e com uma profundidade, confesso, nem sempre acessível. Houve um que fixou imediatamente, e desde esse momento constantemente no meu dia-a-dia, a atenção e que pela sua pequena dimensão gráfica passo a transcrever:

 A Ação Destra
“Dois homens encontravam-se de visita à casa de um mestre, e um perguntou ao outro:
- Vieste, como eu, para ouvir os seus ensinamentos?
E o outro respondeu:                                 
- Não, para mim é suficiente ver como aperta as sandálias.”

Um líder é um exemplo na sua forma de agir. Quantas pessoas conhecemos assim? Quem são elas? Porque nos inspiram? Qual é o seu exemplo?
A segunda alusão é o poema IF de Rudyard Kipling. Em primeiro lugar o poema é lindíssimo e de uma profundidade tão verosímil que se poderia tornar o lema de vida de um líder. Todas as várias situações descritas fazem parte do que é ser Homem, estão ao alcance de todos. A diferença, e é aí que encontramos um verdadeiro líder, é a forma como lidamos com elas, como decidimos sentir-nos ao passarmos por elas e as lições que delas retiramos para os desafios de todos os dias.
Ser líder está ao alcance de todos nós. Todos nós somos líderes, exercemos liderança nos mais diversos meios em que nos relacionamos.

Ser líder é ousar. É arriscar. É ter coragem para ser e fazer diferente e, ainda assim, manter-se fiel aos seus valores. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Dia Mundial do Livro

Como em cada manhã, rodeada de um delicioso café com bebida de aveia e um pão de cereais com queijo creme, foi fácil encontrar o tema para mais uma entrada no meu moleskine. 
Nesse dia, 23 de abril, decidi brincar com alguns dos títulos de livros que me marcaram.

O resultado está expresso nas linhas que seguem: 

 Dia Mundial do Livro 


 O Principezinho encontrou-se com Siddharta, O Homem à procura de um sentido, num agradável passeio por A Cidade e as Serras. Por aí encontraram, também, D. Juan e A filha do Capitão que contemplavam, extasiados, o Retrato de Dorian Gray. Simultâneamente, algures neste mundo, O Homem de Constantinopla tornava-se Um Milionário em Lisboa. Também D. Quijote de la Mancha veio em busca de esse afamado povo de Os Lusíadas à procura de aventuras. E é então que, após conhecer a História de um caracol que descobriu a importância da lentidão, encontra-se inesperadamente com Os Maias. Nas Histórias para Contar Consigo, MUDE e arrisque Na Vida com Garra. Mesmo durante a Intempérie, procure o seu Pássaro da Alma porque dessa forma, seguramente, Vai Correr Tudo bem!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sobre a ausência

Fazes-me falta. 

Fazes-me falta mesmo quando estás perto de mim.
Não te confesso mas procuro em ti tudo aquilo que já foste para mim. 
Tudo o que já me deste. Tudo o que no seu tempo não valorizei. 
Todos os elogios que calei.
Fazes-me falta. Porque já não és tu e eu também já não sou eu.
Fazes-me falta mesmo quando dizes que gostas de mim, que sou importante para ti.
Não te zangues comigo mas, nas noites em que os fantasmas me visitam, pergunto-me se realmente assim é. Ainda és genuinamente capaz?

Fazes-me falta mas não cales quando for imperioso que fales a Verdade.

Fazes-me falta mesmo e principalmente quando estás perto de mim.