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terça-feira, 25 de junho de 2024

Sobre Correr

[ou a arte de viver]

Num dos treinos das últimas semanas dei por mim a pensar em como correr se pode tornar uma metáfora da forma como decidimos viver.
O tema não é novo. Não é inédito. 
Correr é terapêutico. É empoderador. É a luta constante do isto não é para mim com o eu sou capaz
Nem sempre a passagem de  isto não é para mim ao  eu sou capaz é pacífica. Aliás, sabemos que não o é. 
Qualquer passagem, qualquer desafio com o qual nos enfrentemos é sempre conturbado, exigente e desesperante no seu início. Tremendamente compensador e reconfortante no fim. Tudo depende da forma como decidimos abraçar as diferentes fases do processo. 

Atualmente, considero-me uma corredora assídua, mas nem sempre esta assiduidade se revela de uma forma colaborativa. Nem sempre é espontânea ou agradável. Não. 
Se algumas vezes é leveza, é foco, é entusiasmo e desafio. Outras é puramente mecânico. É um número: de quilómetros, de ritmo, de altimetria, de dias (que faltam para a próxima prova). Outras ainda é desalento, desaire, desassossego. 
É uma e outra coisa. Nenhuma delas se exclui. 
É uma montanha russa de pensamentos e de sensações. O [meu] treinador pede-me que oiça o corpo, mais do que os pensamentos. É um trabalho árduo. 
Ouvir o corpo pode ajudar a estar mais presente no aqui e no agora e a ser mais objetivo, principalmente quando os pensamentos insistem em contrariar as sensações do corpo, mas estar focado no motivo que me levou a correr e a estar num processo de treino [acompanhado] é essencial para fazer o treino resultar.

Se deixar por um momento de pensar em corrida, pode adaptar isto a qualquer aspeto da sua vida. 
Não sei se correr é para todos, mas viver é, embora nem todas as pessoas o façam. O caminho nunca vai ser fácil. Pode decidir tornar-se mais forte e preparar-se ou pode desculpar-se com as condições (as que controla e as outras que não controla).  

Pode parecer irónico, mas sei exatamente do que falo. Sei porque num maior ou menos grau passo por isso. O trabalho nunca está finalizado. Nunca se está sempre motivado. O êxito [e o fracasso] são voláteis. 

Se eu poderia viver sem correr?
Podia, mas não seria a mesma coisa.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Sobre a Coragem

 Ao N. por ser corajoso todos os dias e por me inspirar a sê-lo também, não obstante a nossa recente amizade. Obrigada!

co·ra·gem 


(francês courage)
nome feminino

1. Firmeza de ânimo ante o perigoos revesesos sofrimentos. = INTREPIDEZOUSADIA ≠ COVARDIA

2. [Figurado]  Constânciaperseverança (com que se prossegue no que é difícil de conseguir).

interjeição

3. Exclamação usada para animar ou incentivar (ex.: coragemvai correr tudo bem!).


"coragem", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/coragem [consultado em 24-05-2022].


Começa. Faz. Age. Desafia-te. 

Escrevo-o aqui, caro Leitor, mas nos últimos meses tenho-o repetido para mim própria como um mantra diário. Quando o repito sinto-me impelida a agir. Fazer com que realmente aconteça, independentemente das circunstâncias, do desafio, do grau mais ou menos possível ou impossível da sua concretização.

De todas as aprendizagens que tenho adquirido ao longo dos últimos meses, uma das mais importantes e que mais impacto tem tido na minha vida é a importância de me permitir ser corajosa. A coragem permite-nos fazer o que ainda não foi feito. Acreditar no que mais ninguém acredita. Estar determinado em fazer algo. 

A coragem. Os pequenos atos de coragem transformam. Transformam-nos: a nossa forma de ser, de pensar, sentir e agir. Transformam o nosso mundo e, confirmo-o todos os dias, o mundo dos outros. 

A grandiosidade de ser corajoso começa com o mais pequeno e simples dos passos: querer sê-lo.

Eu quero. E todos os dias trabalho para o ser. Pouco a pouco. Paulatinamente. De ação em ação. De feedback em feedback. Aproveitando cada oportunidade para adquirir experiência neste campo. 
Imagine poder dizer que é um/a especialista em ser corajoso/a? Não seria maravilhoso?

Se tiver agora alguns minutos, peço-lhe que responda honestamente à seguinte questão: 
Já alguma vez quis ter coragem?

Coragem para recomeçar. Para olhar para um desafio sob outro ponto de vista ou perspetiva. 
Coragem para ter aquela conversa. Ir ao ginásio. Começar a cuidar de si. Levantar-se cedo. Conversar com aquela pessoa que o entusiasma ou por quem se sente atraído/a.
Coragem para deixar a porta aberta, depois de lhe terem partido o coração. De continuar depois de muitos "Não". Coragem para dizer o que pensa. Para fazer aquela viagem, mudar de emprego ou elogiar aquela pessoa.

Coragem para ser melhor. Para pensar em grande e definir objetivos muito além do razoável (tão além que pouca gente acredita ser possível). Coragem para confiar em si ou para pedir ajuda.
Coragem para ser o/a primeiro/a a fazer algo ou para decidir, de uma vez por todas, não fazer.
Coragem para se responsabilizar pelos seus resultados e mudar o seu discurso interior.

Coragem para ser imperfeito. Coragem para ter coragem. 

Deixe a coragem fora da lista de objetivos a longo prazo. Decida hoje que quer ser corajoso. Decida impregnar a sua vida de pequenas ações corajosas todos os dias. Decida hoje e faça-o: com o seu marido ou com a sua esposa. Com os seus filhos, sogros ou irmãos. Com o chefe ou com os seus colaboradores. Com os seus clientes, pacientes ou alunos/as. Em definitiva, decida sê-lo por si. 

E se está indeciso/a por onde começar, dou-lhe uma pista e peço-lhe que responda a mais uma pergunta (hoje é a última, prometo!):
"O que é que vale a pena fazer mesmo que falhe?" 

A resposta, caso exista, é a base da sua próxima ação. Não olhe para trás. Não pense duas vezes: faça-o. Seja corajoso e partilhe-o com as outras pessoas. 

Seja corajoso mesmo quando, ou principalmente quando, não tem motivos para o ser. 

domingo, 20 de março de 2022

Sobre perspetiva(s)

Um dos meus objetivos de 2021 era voltar a partilhar a minha escrita. 
Os meses passaram-se e outros objetivos foram sendo concretizados e a escrita (partilhada/oferecida) foi sendo deixada para trás. Por considerar que ainda não era o momento. Por pensar que o texto não estava suficientemente bom para ser lido. Por achar que a mensagem não era exatamente aquela que eu queria partilhar. Por não ter tempo. Por não ter disponibilidade anímica. Por não ter energia. Por não ter entusiasmo. Por não-sei-quantos-outros-motivos. 

Passei grande parte da segunda metade de 2021 com a intenção de voltar a este espaço e redecorá-lo. Passei 2021 sem o fazer. 
Não é algo que me orgulhe, mas talvez agora, como em tudo na vida, perceba que há um motivo para que o seu (ou o meu!) reaparecimento seja feito agora. 
Chega 2022 e a certeza que será um ano de muita ação. De resultados. De levar para a frente. De #fazeracontecer, como aliás a minha querida Madalena Quiala (procurem-na nas redes, ela é um furacao. Uma autêntica força da natureza que tive a honra e o prazer de conhecer e sobre quem, quase de certeza, voltarei a escrever neste espaço) também tantas vezes diz. 

E eis que chega mais uma fase desta minha casa. The coach Lab - writing notes é um reformulado espaço de partilha de aprendizagens que durante todos estes anos fui fazendo. Pelo menos é minha intenção que assim seja. Não quero fazer publicidade pouco honesta, mas trabalharei para isso!
 Não é por acaso que a última entrada do blogue é sobre ganhar ou perder. Sobre conseguir alcançar um objetivo. Um texto extraordinário num dos anos mais produtivos e desafiantes que vivi. Um ano cheio de experiências, cheio de momentos de inspiração, desafio e superação. Num determinado momento desse ano coloquei-me a seguinte pergunta: 

Inês, se deixasses de poder fazer o que fazes. Se deixasses de poder estar com as pessoas que gostas. Se deixasses de poder praticar desporto. Se deixasses de poder trabalhar. Se deixasses de poder levar a vida que levas, o que é que levarias dessa experiência? O que é que contarias sobre esses tempos. 

A resposta foi dada através de ações. Nunca antes tive tantas experiências. Nunca antes me desafiei tanto. Nunca antes disse tanto o que sentia. Nunca antes fiz tanto o que me apetecia. 

Depois disso, bem... parece que a vida tem sempre para nós os desafios para os quais precisamos de desenvolver competências. De sermos melhores pessoas. De nos respeitarmos mais. De dizer mais vezes não. 
 E penso que este interregno de cinco anos acaba por refletir isso. 

Isto tudo para vos dizer que estou de volta. A mesma casa. Perspetivas e experiências diferentes. A mesma emoção (e cuidado) na partilha e nas palavras. 

Por agora é tudo...mas regresso para vos contar mais novidades sobre este novo projeto! 

Obrigada por se manterem aí (os antigos e os novos que certamente me visitarão!) 

Até breve!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Considerações sobre Liderança

Como nos inspira quem nos rodeia?
Como inspiramos os que nos rodeiam?
Que líderes somos? 

A reflexão que a seguir apresento foi inserida num trabalho do Módulo 6: Liderança e Comunicação, no âmbito da pós-graduação em Coaching
É uma visão muito pessoal, sustentada com leituras sobre a temática, sobre  Liderança e do que é ser e agir como líder.

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Ser ou não ser líder é a questão!

Uma questão em tom de desafio como pressupõe o processo de desenvolvimento e crescimento pessoal que desde outubro assumi. Um processo cuja palavra central, muito repetida no meu discurso nos últimos meses, é Consciência.
Uma Consciência que implica o que sou (comigo e com os outros), como sou (comigo e com os outros) e como me vejo (a mim e aos outros). E é nesta vertiginosa e fantástica procura que está contextualizada esta reflexão: ela é o resultado de um processo num estado eternamente por terminar.
Na verdade, ela também surge depois de meses de troca de experiências, conhecimentos, leituras, pesquisas e, sobretudo, reflexões muito pessoais sobre o EU e as variáveis que anteriormente referi.
Pela mão do professor Paulo Abrantes navegámos pelo tema da Comunicação e Liderança. A sua experiência por outras tormentas, fê-lo marinheiro experiente e astuto e neste sentido fez questão de nos dotar de confiança para que, juntos, chegássemos a porto seguro. Juntos e com uma constante preocupação em relação ao nosso bem-estar: à forma como estávamos a percecionar e a utilizar a informação que nos estava a ser transmitida. Embora sem me dar conta nesta altura estava a dar-nos uma lição, ele próprio e a sua conduta, de Liderança.
Em primeiro lugar, deixei cair a ideia de que Liderar/a Liderança estava apenas confinada aos CEO de empresas. Creio que o conceito de Liderança para mim estava associado ao sucesso e à visibilidade. Com sinceridade, não tinha até ao momento tido necessidade de pensar sobre isso: como se fosse uma característica que não estivesse ao meu alcance.
É então que nesta pequena mas muito gratificante viagem descubro que a Liderança está acessível a todos que ousem conhecer-se, que ousem conhecer quem os rodeia, que não receiem reconhecer o(s) seu(s) erro(s), que ajam com humildade, que tenham uma forma de estar/agir pelo qual sejam reconhecidos, a sua imagem de marca.
O líder é alguém original, que tem coragem para ser e fazer diferente. O líder não teme a grandeza dos que o rodeiam porque tem confiança em si próprio e porque a sua verdadeira felicidade também passa por fazer com que o melhor de quem o rodeia se eleve, sobressaia. O líder é o que predica e é sobretudo quem faz o predica.
[…]
Ainda durante este processo também recordei e sobretudo refleti que um dos argumentos que uso para justificar a minha prática profissional é o facto de acreditar que, em algum momento posso fazer a diferença na vida das crianças/adolescentes com quem trabalho. Assim sendo, será que faço realmente? Porque é que é isso que me preenche enquanto profissional? Em que é que se traduz na minha prática “fazer a diferença”? Quando é que senti isso? Como me senti?
Foram algumas perguntas que me coloquei a mim mesma. Para algumas terei resposta, ou uma resposta à luz da minha perspetiva atual.
Termino esta reflexão com a alusão a dois textos com os quais estabeleci contacto há relativamente pouco tempo e que considero que influenciaram de sobremaneira o meu entendimento sobre o que me rodeia. Partilho-os aqui porque penso que estão dentro do âmbito deste trabalho e desta reflexão.
Há uns meses comprei um livro com o título Os melhores contos espirituais do Oriente de Ramiro Calle. No título aparecem duas palavras que chamaram imediatamente a minha atenção [contos e Oriente] e comprei-o. Nas suas páginas fui lendo pequenos contos de índole espiritual e com uma profundidade, confesso, nem sempre acessível. Houve um que fixou imediatamente, e desde esse momento constantemente no meu dia-a-dia, a atenção e que pela sua pequena dimensão gráfica passo a transcrever:

 A Ação Destra
“Dois homens encontravam-se de visita à casa de um mestre, e um perguntou ao outro:
- Vieste, como eu, para ouvir os seus ensinamentos?
E o outro respondeu:                                 
- Não, para mim é suficiente ver como aperta as sandálias.”

Um líder é um exemplo na sua forma de agir. Quantas pessoas conhecemos assim? Quem são elas? Porque nos inspiram? Qual é o seu exemplo?
A segunda alusão é o poema IF de Rudyard Kipling. Em primeiro lugar o poema é lindíssimo e de uma profundidade tão verosímil que se poderia tornar o lema de vida de um líder. Todas as várias situações descritas fazem parte do que é ser Homem, estão ao alcance de todos. A diferença, e é aí que encontramos um verdadeiro líder, é a forma como lidamos com elas, como decidimos sentir-nos ao passarmos por elas e as lições que delas retiramos para os desafios de todos os dias.
Ser líder está ao alcance de todos nós. Todos nós somos líderes, exercemos liderança nos mais diversos meios em que nos relacionamos.

Ser líder é ousar. É arriscar. É ter coragem para ser e fazer diferente e, ainda assim, manter-se fiel aos seus valores. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Sobre a Paixão!

Não sei em relação aos outros professores mas há um determinado momento da aula/ano letivo em que a pergunta aparece por interesse e/ou curiosidade: "Sempre quis ser professora?", perguntam-me a cada ano que passa os meus alunos. Este ano ainda não me foi colocada mas hoje pensei nela porque esta pergunta, normalmente, desilude o meu curioso auditório.
Não, nunca quis verdadeiramente ser professora. Lembro-me também de brincar que era professora, mas não me lembro de o querer efetivamente ser. A únicas duas profissões que me recordo bastante bem de querer ter sido foram a de advogada e a de jornalista [desportiva].
Esta minha revelação acaba sempre por suscitar algum alvoroço nos meus alunos e quando lhes digo que sou adepta de um bom jogo de futebol e que inclusivamente sigo a atualidade futebolística e desportiva, não conseguem olhar-me sem uma expressão incrédula.
Desde os meus 14/15 anos que o Desporto é uma paixão. Desde a mesma altura comecei a comprar frequentemente o jornal A Bola, a reparar nas fichas técnicas dos jogos, a comprar livros com as regras de futebol e de outras modalidades. Gostava de desporto em geral e cheguei mesmo a praticar Basquetebol e Futebol no âmbito do programa Desporto Escolar. Quando fui para a Escola Secundária fui-me inserindo no grupo dos rapazes da turma e não havia uma única segunda-feira que não nos reuníssemos no intervalo grande para conversar sobre jogos da jornada ou outros assuntos desportivos. Acabei por me tornar secretária da equipa masculina da minha turma e não perdia um jogo do famoso inter-turmas. Na altura ambicionava ser como a Cecília Carmo, uma das primeiras mulheres a apresentar programas desportivos.
Os anos passaram e eu cresci e comigo cresceram novos  interesses: literariamente lembro-me de gostar de ler tudo e mais alguma coisa. devorava livros sobre questões mais espirituais como Paulo Coelho, Kahil Gibran, li imensos clássicos e adorava escrever: escrevia essencialmente histórias que aconteciam nas férias, escrevia cartas às minhas amigas com questões existenciais, escrevia muitas cartas!
Depois de estar algum tempo adormecida, esta minha paixão pelo futebol voltou a ganhar novos contornos há sensivelmente 4 anos. Confesso que de uma forma muito mais moderada do que anteriormente, mas não deixa de existir!
Hoje, a convite de uns alunos que sabem do meu gosto por futebol, fui ver pela primeira vez um jogo de futsal. Fiquei completamente fascinada pelo ritmo de jogo extenuante para o jogador, mas completamente contagiante para o espetador. Já há muito tempo que não via um espetáculo ao vivo e saí do pavilhão com vontade de regressar àquela época dos comentários à segunda-feira, às aulas de "temática livre" em que a modalidade escolhida era sempre a mesma: futebol... Fiquei tão entusiasmada quanto nostálgica.
 
Obrigada, obrigada, obrigada!
 
 
 
 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sobre a "internacionalização" na cidade do Sado

Este fim-de-semana fui até à "Pérola do Sado" na companhia das irmãs Ferventis. Depois de termos já recusado dois convites para participar no Acordes, Festival de Tunas Femininas organizado pela Tuna Sadina, à terceira foi realmente de vez!! A preparação para o Acordes, que este ano cumpriu a sua IX edição, começou muito antes do fim-de-semana da sua realização propriamente dita. Ao longo do último mês e meio as caloiras e projectos desta fabulosa tuna tiveram que enfrentar grandes e arriscados desafios. Estes passaram por pôr à prova a sua criatividade e originalidade com a realização de poemas com palavras-chave sobre a temática, a adaptação do conhecido sucesso "És tão sensual" do, não menos conhecido, sadino Toy e a sugestão de uma entrada à altura do Acordes e que transmitisse a nossa atitude em relação a esse, e a todos afinal!, festival. As provas pré-Acordes puseram, também, à prova a memória das nossas caloiras e projectos: a cada uma delas foi atribuído um poema de Bocage que, sempre que lhes fosse solicitado, deviam declamar.
Antes de continuar com a descrição deste fim-de-semana devo dizer, ao leitor mais curioso, que todas as provas foram amplamente superadas!
Dia 1: sexta-feira, 16 de Abril.
Hora de Saída: 20:00 Hora de chegada a Setúbal: a) pela primeira vez - 23:50 e b) pela segunda vez: 01:00 Meio de Transporte: a carrinha dos pais da Liane (a única carrinha que durante horas conseguiu transportar um autocarro lá dentro!) Condutora: Liane
Estavam reunidos todos os ingredientes propicios à festa: alegria, companheirismo, música, boa-disposição e MOITA VELHA!
Após a reunião da "turma", rumámos em direcção a Setúbal e, apesar de não o sabermos ainda nessa altura, à Marateca. Resumindo, e quem foi sabe que estou a resumir, foi uma viagem muito bem passada, cheia de momentos para recordar, peripécias originais e à imagem desta tuna!!
Talvez o leitor desconheça, mas normalmente nestes festivais existe um, às vezes mais, guias que têm o papel de guiar a tuna é, no fundo, um intermediário entre a tuna organizadora e as tunas convidadas. O nosso, Fura - é a pura da loucura, ainda não nos tinha conhecido e já nos estava a mandar de volta para o Algarve.
Explico: por motivos de imprecisão geográfica, falta de comunicação e outros, as orientações que o Fura nos deu levaram-nos a entrar na A2 com destino a Alcácer do Sal (51 km). Ora, depois de "panicarmos" e já com o pensamento nos mais de 100km que teríamos que fazer para ir até Alcácer e regressar a Setúbal, vimos, passados uns 20km, a saída MARATECA. Acho que, se Marateca fosse uma pessoa, ter-lhe-íamos dado um beijo!!
Mais descontraídas (e animadas!) regressámos a Setúbal! Em Setúbal fomos recebidas pelo Fura, o guia, e a Andreia que já por lá andava desde as 21h. Deixámos a bagagem no ginásio da escola comercial, local onde iriamos pernoitar no fim-de-semana, e ainda houve oportunidade de brindar com vinho do porto que a Meuf, que entretanto tinha chegado também à cidade depois de perder um comboio e da máquina dos chocolates lhe ter ficado com 10 euros, trouxe da Invicta.
A noite ainda agora estava a começar para nós! Saímos do ginásio em direcção à zona dos bares da cidade, não me recordo do nome do primeiro mas sei que lá nos encontrámos com a Tuna Sadina (organizadora do festival), Tafué (tuna participante) e com a Estuna (tuna convidada). À chegada, receberam-nos com um enorme sorriso nos lábios e um copo de sangria na mão e como "resposta" devolvemos sorrisos e cantámos uma canção ao IX Acordes e à Tuna Sadina!
A noite foi acontecendo por terras do rio Sado: karaoke (com direito a discos pedidos!); Moita Velha, Brindes; declamação de poemas; hambúrgueres com ervilhas; cocktails de melão (sem álcool!!); animação na coluna; serenata aos porteiros; partilha de segredos; conversas do "arco da velha"; duche de água fria; "tralhos" nos balneários...
Dia 2: 17 de Albril

Alvorada: 11 horas com a já conhecida "Poesia" do duo SãoLindas (que aliás nos acompanhou exaustivamente durante todo o fim-de-semana). Duas (ou três) horas volvidas dos episódios descritos antes, acordámos com o humor matinal que caracteriza um grupo como o nosso "O que tem que ser...tem que ser!" Rapidamente (tendo em conta que éramos 16 mulheres) nos trajámos e organizámos para começar um mini ensaio antes de partirmos para o almoço: cantaram-se os êxitos e o grupo aproximou-se ainda mais. Já começava a dar aquele frio na barriga, aquele nervosismo miúdo de festival.

O almoço foi servido numa magnífica esplanada na margem do Rio Sado e tivemos a oportunidade de provar algumas das iguarias do restaurante. Os ânimos ficam mais despertos e a música começou a ouvir-se. A partir daí nunca mais ninguém nos consegiu "calar". A nós e às queridas da Tafué que, sendo mulheres tão festivaleiras, não se podiam deixar ficar atrás!

Depois do almoço estava programado uma visita às caves da Bacalhôa (lugar onde se produz o Moscatel de Setúbal) seguido de um passeio pela Serra da Arrábida. Na Bacalhôa ficámos deslumbradas: milhares de hectares de vinha que produzem não só o famoso Moscatel de Setúbal como alguns vinhos de nome sobejamente conhecido: Periquita ou JPazeitão. Na estufa, 5 mil pipas de vinho fazem o seu estágio antes de serem engarrafados e exportados (40%) ou postos à venda no nosso país (60%). No final da visita, o momento pelo qual esperávamos antes mesmo de esta começar, a prova de vinhos Moscatel e outro, cujo nome, sinceramente, não me recordo.

Regressámos a Setúbal, à Praça do Bocage, mas antes tivemos oportunidade de passear pela magnífica Serra da Arrábida. Que paisagem excepcional! (Um passeio que recomendo vivamente ao leitor que não conhece!) Um final de tarde relaxado e cheio de cantorias!

Na Praça do Bocage, já com os primeiros sinais de cansaço a aparecerem, tocámos, cantámos e encantámos na companhia da Inspiritus Tuna e Tfisel. O destino seguinte era o Anunciada, local onde realizar-se-ia o festival, que nos recebeu debaixo de uma forte chuva. À chegada ao Anunciada, mais amigos: O Bivalves, o Sandokan, o Mirra e o Jay Cee fizeram-me uma visita e foi um enorme gosto vê-los ali!!

Ao jantar...a tradicional feijoada de chocos que, sinceramente, nem consegui saborear como era suposto devido às circunstâncias de pré-actuação. (Fica prometido o regresso a Setúbal para saboreá-la como merece!)
A actuação: correu bem, dentro do que tinhamos planeado. Penso que foi uma actuação coerente, com alguns erros mas com um à vontade muito grande, também. Serviu para identificarmos falhas e para, a partir daqui, corrigir e seguir em frente. Foi uma actuação envolvente, eu pelo menos enquanto tunante achei que estávamos todas na mesma onda e isso foi muito importante! No final da actuação um regresso ao Anunciada mas, desta vez, para ser espectadora entusiasmada da actuação da Tafué (não me recordo da última vez que vi uma tuna feminina!).

No final do IX Acordes o júri decidiu: Melhor Tuna: Tuna Académica Feminina da Universidade de Évora; Melhor Solista: Tuna Feminina do Isel; Melhor Estandarte: Tuna Académica Feminina da Universidade de Évora; Melhor Pandeireta: Tuna Académica Feminina da Universidade de Évora; Melhor Instrumental: Tuna Académica Feminina da Universidade de Évora. A Tuna Sadina atribuiu, ainda, o prémio de Tuna + Tuna à Feminis Ferventis - Tuna Académica Feminina da Universidade do Algarve. Foi um enorme orgulho recebê-lo!!!

A festa continuou no Design com a presença da Tuna Sadina, da Feminis, da Tafué e da Estuna que celebraram este Acordes até altas horas da madrugada!!

De regresso ao Algarve, muitas histórias na mochila e sentimentos partilhados. Foi mais um fim-de-semana em família pleno de reencontros e de surpresas, das agradáveis!!
Parabéns à Tuna Sadina pelo Acordes, pela simpatia com que sempre nos trata e pela boa disposição característica. Quem conhece, sabe que este festival tem a "cara" delas!!

"Setúbal é a Pérola do Sado,

Setúbal recebe as Fefés com espanto,

Setúbal tem o néctar desejado,
Setúbal fica rendido ao nosso encanto."