terça-feira, 24 de maio de 2022

Sobre a Coragem

 Ao N. por ser corajoso todos os dias e por me inspirar a sê-lo também, não obstante a nossa recente amizade. Obrigada!

co·ra·gem 


(francês courage)
nome feminino

1. Firmeza de ânimo ante o perigo, os reveses, os sofrimentos. = INTREPIDEZ, OUSADIA ≠ COVARDIA

2. [Figurado]  Constância, perseverança (com que se prossegue no que é difícil de conseguir).

interjeição

3. Exclamação usada para animar ou incentivar (ex.: coragem, vai correr tudo bem!).


"coragem", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/coragem [consultado em 24-05-2022].


Começa. Faz. Age. Desafia-te. 

Escrevo-o aqui, caro Leitor, mas nos últimos meses tenho-o repetido para mim própria como um mantra diário. Quando o repito sinto-me impelida a agir. Fazer com que realmente aconteça, independentemente das circunstâncias, do desafio, do grau mais ou menos possível ou impossível da sua concretização.

De todas as aprendizagens que tenho adquirido ao longo dos últimos meses, uma das mais importantes e que mais impacto tem tido na minha vida é a importância de me permitir ser corajosa. A coragem permite-nos fazer o que ainda não foi feito. Acreditar no que mais ninguém acredita. Estar determinado em fazer algo. 

A coragem. Os pequenos atos de coragem transformam. Transformam-nos: a nossa forma de ser, de pensar, sentir e agir. Transformam o nosso mundo e, confirmo-o todos os dias, o mundo dos outros. 

A grandiosidade de ser corajoso começa com o mais pequeno e simples dos passos: querer sê-lo.

Eu quero. E todos os dias trabalho para o ser. Pouco a pouco. Paulatinamente. De ação em ação. De feedback em feedback. Aproveitando cada oportunidade para adquirir experiência neste campo. 
Imagine poder dizer que é um/a especialista em ser corajoso/a? Não seria maravilhoso?

Se tiver agora alguns minutos, peço-lhe que responda honestamente à seguinte questão: 
Já alguma vez quis ter coragem?

Coragem para recomeçar. Para olhar para um desafio sob outro ponto de vista ou perspetiva. 
Coragem para ter aquela conversa. Ir ao ginásio. Começar a cuidar de si. Levantar-se cedo. Conversar com aquela pessoa que o entusiasma ou por quem se sente atraído/a.
Coragem para deixar a porta aberta, depois de lhe terem partido o coração. De continuar depois de muitos "Não". Coragem para dizer o que pensa. Para fazer aquela viagem, mudar de emprego ou elogiar aquela pessoa.

Coragem para ser melhor. Para pensar em grande e definir objetivos muito além do razoável (tão além que pouca gente acredita ser possível). Coragem para confiar em si ou para pedir ajuda.
Coragem para ser o/a primeiro/a a fazer algo ou para decidir, de uma vez por todas, não fazer.
Coragem para se responsabilizar pelos seus resultados e mudar o seu discurso interior.

Coragem para ser imperfeito. Coragem para ter coragem. 

Deixe a coragem fora da lista de objetivos a longo prazo. Decida hoje que quer ser corajoso. Decida impregnar a sua vida de pequenas ações corajosas todos os dias. Decida hoje e faça-o: com o seu marido ou com a sua esposa. Com os seus filhos, sogros ou irmãos. Com o chefe ou com os seus colaboradores. Com os seus clientes, pacientes ou alunos/as. Em definitiva, decida sê-lo por si. 

E se está indeciso/a por onde começar, dou-lhe uma pista e peço-lhe que responda a mais uma pergunta (hoje é a última, prometo!):
"O que é que vale a pena fazer mesmo que falhe?" 

A resposta, caso exista, é a base da sua próxima ação. Não olhe para trás. Não pense duas vezes: faça-o. Seja corajoso e partilhe-o com as outras pessoas. 

Seja corajoso mesmo quando, ou principalmente quando, não tem motivos para o ser. 

domingo, 10 de abril de 2022

Sobre Regresso(s)

Esta publicação é dedicada
a tod@s os que estão nos seus 100 metros,
a tod@s os que estão no seu 7.000 metros,
ao meu Eu do futuro.

Sempre gostei de desporto. De ver [bom] desporto e, em certa medida, de praticar.

Em setembro de 2016, depois de um crescente interesse pela corrida, conheci o Nuno Afonso. Foi aí que começou mais seriamente o meu gosto/paixão pelo desporto. Percebi que o desporto trazia-me aquela sede de satisfação que sempre padeci. O desporto e, de uma forma que viria a perceber passado alguns anos, o estabelecer objetivos. Nesse ano, pela primeira vez, estabeleci objetivos desportivos:

🎯  melhorar o meu tempo na São Silvestre (uma prova pela qual tenho um enorme carinho e continua a ser A minha prova de eleição) para menos 60 mn e

🎯  correr a minha primeira meia maratona - a de Lisboa - em março do ano seguinte.

Não cabe no objetivo de escrita de hoje falar sobre o processo. O Nuno Afonso tem os registos do meu diário de bordo sobre como foi para mim preparar-me para estes objetivos, sobretudo o da Meia Maratona.

Tudo certo - objetivos alcançados:

✅ São Silvestre 2016 - 50 minutos;

✅I Meia Maratona da Água - 1h54m onde acabei por me lesionar e comprometer o objetivo da Meia Maratona de Lisboa - 1h59m.

Chega setembro de 2017 e mudo de localidade por questões profissionais (os professores têm uma vida de lorde!). Vila Real de Santo António passa a ser a minha nova casa. Um ano desafiante sob vários pontos de vista: novos alunos, novas rotinas, duas escolas. Zero exercício. Zero. Passei de treinar todos os dias para deixar de treinar. Trabalhei muito e amadureci pessoal e profissionalmente.  

Chego a janeiro de 2021 e quatro ano passaram sem qualquer tipo de exercício físico regular ou mais intenso. 4 anos cheios de aprendizagens.

Não é novidade para ninguém: o nosso cérebro protege-nos do perigo. Da novidade. Do que considera poder ser potencialmente perigoso. O nosso cérebro odeia novidade(s). Exceções. Novas perspetivas. E é por isso que ele fabrica os argumentos necessários para validar esse perigo. Ele fabrica e nós alinhamos, quase automaticamente, neles porque, afinal de contas, não temos o entusiasmo, estamos cansados, estamos sem energia, sem condição física (e não começar ajudar-nos-á a tê-la, certo?), porque não temos companhia, porque não temos calçado adequado, porque não temos o relógio XPTO, porque ainda não é o momento, porque ainda não temos vontade, porque...porque...  E é assim que nos vamos mantendo confortavelmente na nessa zona simpática de conforto onde confortavelmente não nada acontece.

Como escrevi, num desses dias de janeiro decidi sair para correr. Antes tinha programado o meu relógio para fazer 2.000 em 20 etapas de 100 metros com um descanso de 40 segundos. Lembro-me perfeitamente deste dia. Perfeitamente. Lembro-me de ter o mesmo sentimento de quando cheguei à meta depois de correr 21 km.  Sabia que tinha dado o primeiro passo: sair de casa e contra argumentar com o meu cérebro, entrando em ação sem negociar. Nos meses seguintes continuei de uma forma mais ou menos consistente: 250 metros; 500 metros; 750 metros, 1.000 metros.

Chega a junho e frequento os treinos da equipa do Triatlo de Faro. Em julho peço ao Nuno para ser o meu treinador de corrida. Se queria regressar à corrida/treinos tinha que ser uma vez mais pela sua mão. Ele hesita, mas com a minha insistência, começamos a treinar: todos os dias, exceto ao domingo ou ao sábado treinava alternadamente natação/corrida.

Em agosto, uma fascite plantar (esquerdo) obriga-me a acalmar os treinos de corrida e decido frequentar o ginásio. Faço 40 quilómetros duas vezes por semana para treinar enquanto estou a desfrutar dos meus quinze dias de férias (Ourém - Torres Novas - Ourém). Final de agosto retomo os treinos (de corrida) com mais entusiasmo. Saio às 06h para correr e invade-me um prazer fantástico pela corrida.

Em setembro, nova mudança de Escola (a 21 km) já programada e muito ponderada. Os treinos de natação em Faro ficaram para trás porque não conseguia conciliar. Os treinos de corrida continuavam paulatinamente com o acompanhamento do Nuno. Até outubro em que mais uma fascite plantar (direito) fez com que voltasse a parar. Desta vez, até janeiro de 2022. A adaptação à nova Escola foi fantástica (está a ser), mas o trabalho e a responsabilidade fizeram com que, uma vez mais, me dedicasse a 200 % e esquecesse o essencial. A base. Nunca mais aprendo, não é?

Em fevereiro de 2022, comecei a nadar na piscina antes de ir dar aulas. Março 2022, passei a ter uma rotina de treino: 2 km, 3km, 4 km (na loucura da long run!). Passei a apreciar cada treino, por muito que ficasse aquém do que já tinha feito ou do que queria fazer. Passei a nadar mais vezes e a levantar-me ainda mais cedo para correr 2/3 ou 4 km antes de ir diretamente para a piscina da cidade onde trabalho.

A foto que publico hoje é o meu treino de ontem. O mais longo dos últimos meses: 7.000 metros contínuos. Mais 4.000 metros alternados (750 corrida + 250 caminhada) + 6 rampas. Nesta foto estou a olhar para ela (a rampa) e a pensar “mas onde raio vou eu buscar a força para fazer isto?”. E pensei no que a querida e triatleta olímpica Melanie Santos me disse, já nem sei a propósito de que pergunta, há relativamente pouco tempo quando me deu o privilégio de trocar quase duas horas de conversa com ela: “estabeleces pequenas metas durante o percurso: é só até ali”. Salvaguardadas as distâncias entre ambas, de metro em metro, é só até ali. E foi.

Quero dizer com isto que, seja onde for que estejas. Seja qual for o desafio com qual te depares neste momento, não desanimes nos teus 100 metros ou nos teus 7.000. São teus. 

Traduzem o teu esforço, o teu sacrifício, o teu trabalho. Não os compares. Sê persistente. Sê otimista. Confia no processo ou muda o processo. 

Caso não resulte, muda-te a ti e a tua perspetiva sobre o processo. E principalmente, celebra. 



Isto não é sobre corrida. 

É sobre o que quisermos que seja. 💪🎯🏆🎽



domingo, 20 de março de 2022

Sobre perspetiva(s)

Um dos meus objetivos de 2021 era voltar a partilhar a minha escrita. 
Os meses passaram-se e outros objetivos foram sendo concretizados e a escrita (partilhada/oferecida) foi sendo deixada para trás. Por considerar que ainda não era o momento. Por pensar que o texto não estava suficientemente bom para ser lido. Por achar que a mensagem não era exatamente aquela que eu queria partilhar. Por não ter tempo. Por não ter disponibilidade anímica. Por não ter energia. Por não ter entusiasmo. Por não-sei-quantos-outros-motivos. 

Passei grande parte da segunda metade de 2021 com a intenção de voltar a este espaço e redecorá-lo. Passei 2021 sem o fazer. 
Não é algo que me orgulhe, mas talvez agora, como em tudo na vida, perceba que há um motivo para que o seu (ou o meu!) reaparecimento seja feito agora. 
Chega 2022 e a certeza que será um ano de muita ação. De resultados. De levar para a frente. De #fazeracontecer, como aliás a minha querida Madalena Quiala (procurem-na nas redes, ela é um furacao. Uma autêntica força da natureza que tive a honra e o prazer de conhecer e sobre quem, quase de certeza, voltarei a escrever neste espaço) também tantas vezes diz. 

E eis que chega mais uma fase desta minha casa. The coach Lab - writing notes é um reformulado espaço de partilha de aprendizagens que durante todos estes anos fui fazendo. Pelo menos é minha intenção que assim seja. Não quero fazer publicidade pouco honesta, mas trabalharei para isso!
 Não é por acaso que a última entrada do blogue é sobre ganhar ou perder. Sobre conseguir alcançar um objetivo. Um texto extraordinário num dos anos mais produtivos e desafiantes que vivi. Um ano cheio de experiências, cheio de momentos de inspiração, desafio e superação. Num determinado momento desse ano coloquei-me a seguinte pergunta: 

Inês, se deixasses de poder fazer o que fazes. Se deixasses de poder estar com as pessoas que gostas. Se deixasses de poder praticar desporto. Se deixasses de poder trabalhar. Se deixasses de poder levar a vida que levas, o que é que levarias dessa experiência? O que é que contarias sobre esses tempos. 

A resposta foi dada através de ações. Nunca antes tive tantas experiências. Nunca antes me desafiei tanto. Nunca antes disse tanto o que sentia. Nunca antes fiz tanto o que me apetecia. 

Depois disso, bem... parece que a vida tem sempre para nós os desafios para os quais precisamos de desenvolver competências. De sermos melhores pessoas. De nos respeitarmos mais. De dizer mais vezes não. 
 E penso que este interregno de cinco anos acaba por refletir isso. 

Isto tudo para vos dizer que estou de volta. A mesma casa. Perspetivas e experiências diferentes. A mesma emoção (e cuidado) na partilha e nas palavras. 

Por agora é tudo...mas regresso para vos contar mais novidades sobre este novo projeto! 

Obrigada por se manterem aí (os antigos e os novos que certamente me visitarão!) 

Até breve!

sábado, 6 de maio de 2017

Sobre Perder ou ganhar...

Esta entrada vem no seguimento de meses de treinos e aprendizagens extraordinárias em diversas áreas da minha vida. O e-mail que a seguir transcrevo, foi enviado dia 18 de março, na véspera de concretizar um dos meus objetivos desportivos para 2017: participar na Meia Maratona de Lisboa. O objetivo foi alcançado mas a lição que retirei desses meses de trabalho e das semanas que lhe seguiram continua muito presente. Partilho-a neste meu "regresso" à escrita.



.. não é [só] desporto.
 
Caro F,
Talvez não saibas mas algures no último trimestre do ano deste-me uma lição tremenda. Eu na altura já achei que teria de refletir mais sobre a tua versão da máxima do "Perder ou ganhar é (tem de ser) desporto.". Quando regressava a casa pensei: "como é que eu, que detesto banalizar/vulgarizar palavras/expressões nunca me tinha lembrado de esmiuçar e compreender verdadeiramente esta? "A verdade é que tenho pensado nela frequentemente desde essa altura. Realmente, de acordo com a tua perspetiva, não é indiferente ganhar ou perder. Se me envolvo em algo, se trabalho para concretizar um objetivo, se me empenho e dedico então eu quero ganhar e isto é, no mínimo o que eu posso querer! (E aqui residiu a minha maior descoberta - é legítimo eu querer ganhar.) Isto é o Desporto: é eu ser fiel ao meu trabalho e não menosprezar a minha ambição (numa perspetiva de desafio pessoal, entenda-se!) e querer realizar com todas as minhas forças o meu objetivo. Até aqui, creio que, pelo menos na globalidade, estarás de acordo comigo. Mas continua a haver uma questão: se o ganhar eu já sei o que é. O que é perder? Nas últimas duas semanas tenho pensado nesta questão. Perder será, mantendo uma coerência sobre o que disse em relação ao ganhar, não ganhar. Perder será não concretizar a 100% um objetivo. Perder será arranjar argumentos que sustentem ideias e suposições dos outros. Perder será não tentar. Perder será querer ganhar a todo o custo. Perder será não retirar uma lição do não ganhar. Penso que me fico por aqui. Queria partilhar contigo este pensamento e agradecer-te pela nossa conversa, por me teres dado uma nova perspetiva, por me teres feito pensar e reformular a visão que tinha em relação à expressão.  Realmente, perder ou ganhar não é indiferente. É um argumento que usamos para justificar ou desculpabilizar o facto de não termos conseguido gerir (seja lá por que motivo for) o nosso querer ganhar. 
 Vou dormir que amanhã o dia é longo e (dizem!) há 21 quilómetros para correr na capital. 


Termino esta entrada com uma frase do atleta Jesse Owens  com a qual me identifico profundamente: "No fim, é o esforço extra que separa o primeiro do segundo lugar. É preciso desejo, determinação, disciplina e sacrifício. Se juntarmos tudo, mesmo se não ganharmos, é impossível perder." 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Considerações sobre Liderança

Como nos inspira quem nos rodeia?
Como inspiramos os que nos rodeiam?
Que líderes somos? 

A reflexão que a seguir apresento foi inserida num trabalho do Módulo 6: Liderança e Comunicação, no âmbito da pós-graduação em Coaching. 
É uma visão muito pessoal, sustentada com leituras sobre a temática, sobre  Liderança e do que é ser e agir como líder.

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Ser ou não ser líder é a questão!

Uma questão em tom de desafio como pressupõe o processo de desenvolvimento e crescimento pessoal que desde outubro assumi. Um processo cuja palavra central, muito repetida no meu discurso nos últimos meses, é Consciência.
Uma Consciência que implica o que sou (comigo e com os outros), como sou (comigo e com os outros) e como me vejo (a mim e aos outros). E é nesta vertiginosa e fantástica procura que está contextualizada esta reflexão: ela é o resultado de um processo num estado eternamente por terminar.
Na verdade, ela também surge depois de meses de troca de experiências, conhecimentos, leituras, pesquisas e, sobretudo, reflexões muito pessoais sobre o EU e as variáveis que anteriormente referi.
Pela mão do professor Paulo Abrantes navegámos pelo tema da Comunicação e Liderança. A sua experiência por outras tormentas, fê-lo marinheiro experiente e astuto e neste sentido fez questão de nos dotar de confiança para que, juntos, chegássemos a porto seguro. Juntos e com uma constante preocupação em relação ao nosso bem-estar: à forma como estávamos a percecionar e a utilizar a informação que nos estava a ser transmitida. Embora sem me dar conta nesta altura estava a dar-nos uma lição, ele próprio e a sua conduta, de Liderança.
Em primeiro lugar, deixei cair a ideia de que Liderar/a Liderança estava apenas confinada aos CEO de empresas. Creio que o conceito de Liderança para mim estava associado ao sucesso e à visibilidade. Com sinceridade, não tinha até ao momento tido necessidade de pensar sobre isso: como se fosse uma característica que não estivesse ao meu alcance.
É então que nesta pequena mas muito gratificante viagem descubro que a Liderança está acessível a todos que ousem conhecer-se, que ousem conhecer quem os rodeia, que não receiem reconhecer o(s) seu(s) erro(s), que ajam com humildade, que tenham uma forma de estar/agir pelo qual sejam reconhecidos, a sua imagem de marca.
O líder é alguém original, que tem coragem para ser e fazer diferente. O líder não teme a grandeza dos que o rodeiam porque tem confiança em si próprio e porque a sua verdadeira felicidade também passa por fazer com que o melhor de quem o rodeia se eleve, sobressaia. O líder é o que predica e é sobretudo quem faz o predica.
[…]
Ainda durante este processo também recordei e sobretudo refleti que um dos argumentos que uso para justificar a minha prática profissional é o facto de acreditar que, em algum momento posso fazer a diferença na vida das crianças/adolescentes com quem trabalho. Assim sendo, será que faço realmente? Porque é que é isso que me preenche enquanto profissional? Em que é que se traduz na minha prática “fazer a diferença”? Quando é que senti isso? Como me senti?
Foram algumas perguntas que me coloquei a mim mesma. Para algumas terei resposta, ou uma resposta à luz da minha perspetiva atual.
Termino esta reflexão com a alusão a dois textos com os quais estabeleci contacto há relativamente pouco tempo e que considero que influenciaram de sobremaneira o meu entendimento sobre o que me rodeia. Partilho-os aqui porque penso que estão dentro do âmbito deste trabalho e desta reflexão.
Há uns meses comprei um livro com o título Os melhores contos espirituais do Oriente de Ramiro Calle. No título aparecem duas palavras que chamaram imediatamente a minha atenção [contos e Oriente] e comprei-o. Nas suas páginas fui lendo pequenos contos de índole espiritual e com uma profundidade, confesso, nem sempre acessível. Houve um que fixou imediatamente, e desde esse momento constantemente no meu dia-a-dia, a atenção e que pela sua pequena dimensão gráfica passo a transcrever:

 A Ação Destra
“Dois homens encontravam-se de visita à casa de um mestre, e um perguntou ao outro:
- Vieste, como eu, para ouvir os seus ensinamentos?
E o outro respondeu:                                 
- Não, para mim é suficiente ver como aperta as sandálias.”

Um líder é um exemplo na sua forma de agir. Quantas pessoas conhecemos assim? Quem são elas? Porque nos inspiram? Qual é o seu exemplo?
A segunda alusão é o poema IF de Rudyard Kipling. Em primeiro lugar o poema é lindíssimo e de uma profundidade tão verosímil que se poderia tornar o lema de vida de um líder. Todas as várias situações descritas fazem parte do que é ser Homem, estão ao alcance de todos. A diferença, e é aí que encontramos um verdadeiro líder, é a forma como lidamos com elas, como decidimos sentir-nos ao passarmos por elas e as lições que delas retiramos para os desafios de todos os dias.
Ser líder está ao alcance de todos nós. Todos nós somos líderes, exercemos liderança nos mais diversos meios em que nos relacionamos.

Ser líder é ousar. É arriscar. É ter coragem para ser e fazer diferente e, ainda assim, manter-se fiel aos seus valores.